terça-feira, outubro 25, 2005

Soares e a estabilidade

No Ritz, Mário Soares diise que também ele é pela estabilidade "mas não a qualquer preço". A estabilidade, acrescentou o candidato, é um valor que tem que contemplar a coesão social e o combate à exclusão. Pergunta que ninguém fez. O que fará o Presidente Soares (se for eleito) caso o Governo de maioria absoluta do PS (que o apoia9 levar a cabo uma polítia que não promova a coesão e a inclusão sociais? Dissolve o Parlamento?

Soares, o profissional

Não gosto de Mário Soares. Mas tenho que reconhecer que, ao contrário de outros, este candidato não tem vergonha da sua condição de político profissional. Só lhe fica bem. Afinal, quem foi 11 anos (ou serão 13) secretário geral do PS, 10 anos Presidente da República, deputado europeu durante uma legislatura, vários anos primeiro-ministro, dificilmente podia dizer outra coisa. Ao professor Cavaco deixo um apelo: Que saia do armário.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Os poderes do Presidente

Cavaco Silva afirmou jurou respeitar e aceitar, na integra, os poderes que a Constituição confere ao Presidente da República. Será isto verdade? Acho que não. Senão vejamos. Cavaco disse que não se resigna, que se candidata para devolver a esperança e a confiança aos portugueses. Até aqui, tudo bem. Mas isto foram dois minutos. Os outros seis (75%), foram ocupados com o seu diagonóstico sobre a situação económica do país. "Fomos ultrapassados pela Eslovénia", disse para mais uma vez concluir: "Eu não me resigno"´. Saberá o professor que a condução da política económica, bem como de todas as outras, é da exclusiva responsabilidade dos Governos? Cavaco revelou que tem da Presidência da República uma visão executiva, o que contraria em absoluto o juramento que acabara de fazer. O homem não se resigna nem se resignará enquanto, se for eleito Presidente da República, não convencer os partidos a fazerem uma Revisão Constitucional que lhe permita reforçar os seus poderes. Cavaco quer ser o Chirac de Lisboa e fazer de Belém o seu Eliseu.

Leituras sobre o número 10

O cenário era composto por 10 bandeiras nacionais, colocadas atrás do candidato. O que quereria aquilo dizer?
-Os 10 anos que Cavaco Silva esteve no poder como primeiro-ministro?
-Os 10 anos que Cavaco Silva quer permanecer em Belém, cumprindo dois mandatos?
-Os 10 anos que Cavaco Silva demorou a digerir a derrota de há 10 anos para Jorge Sampaio?

Igual a si próprio

O discurso de Cavaco Silva revelou, ao contrário do que alguns comentadores "lambe botas" disseram nas televisões, que Cavaco não mudou. Estava nervoso, tenso, antipático. Foi deselegante com Jorge Sampaio, quando confrontado com a recente dissolução do Parlamento ou a questão do referendo ao aborto. Só faltou dizer "Vamos ajudar o dr. Sampaio a acabar o mandato com dignidade". Foi deselegante com a classe política, de que, por mais que diga o contrário, faz parte. Se alguém que foi ministro das Finanças, durante dez anos foi presidente de um partido, o PSD, foi primeiro-ministro, candidato a Presidente da República, durante outros dez anos esteve calculistica e profissionalmente à espera da melhor oportunidade para voltar ao activo, sem deixar de estar activo. Se este alguém não é um político profissional, é o quê?

Regresso

Não para satisfazer qualquer ambição pessoal mas, por imperativo de consciência, decidi voltar a escrever neste blog. Chiça, que pareço aquele senhor de Boliqueime a justificar-se.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

A noite do Altis vista por outros olhos que não os meus

É quase meia-noite. O secretário-geral do PS entra na sala do Hotel Alttis, em Lisboa, para a declaração de vitória. “Sócrates! Sócrates! (tosse). Que raio de nome! Não dá jeito nenhum. Se fosse José era bem mais fácil.” Vasco Vilela é jovem, republicano, laico e socialista. Veste calças de ganga e um blazer de bombazine cor de mel. O cabelo está programadamente desalinhado. É militante da JS, estrutura da qual já foi dirigente, desde os 16 anos. Às 8h00 da noite rói furiosamente as unhas, enquanto aguarda pelas primeiras projecções das televisões. Ao mesmo tempo, RTP, SIC e TVI pré anunciam a vitória do PS com maioria absoluta. É então altura de soltar a tensão acumulada ao longo das últimas semanas. “Yes! Basta! Basta!”, exclama Vasco num grito de alívio pela derrota do centro-direita. À medida que a noite avança e os resultados vão ficando mais claros, a confiança de Vasco aumenta. Sucedem-se os telefonemas e as mensagens SMS para os “inimigos” políticos. “Tou, pá! Como é que estão as coisas por aí? Um velório, não?”, pergunta a um amigo do CDS. Do outro lado a resposta é fácil de adivinhar.
Com o novo xadrez parlamentar definido, sucedem-se as declarações nas várias sedes de campanha. A expectativa cresce para ouvir o que diz Paulo Portas. O líder do CDS anuncia que se demite. Vasco aplaude. “Já não era sem tempo. Desaparece o maior mentiroso da política portuguesa”, afirma aliviado. Logo a seguir fala Santana Lopes. Vasco Vilela fica surpreendido por o líder do PSD não se demitir. Não resiste, no entanto ao sarcasmo: “Para nós é óptimo que ele continue.”
A noite já vai longa. Vasco prepara-se para ouvir o homem da noite. Sócrates fala de humildade, garante que as Novas Fronteiras vão continuar e assegura que o PS saberá ler os resultados e a viragem do país à esquerda. O jovem socialista sorri. “Espero que José Sócrates perceba que são precisas políticas de esquerda”, diz Vasco deixando um aviso ao líder do PS: “Ele que não siga pela terceira via de Tony Blair. Esse é de direita”.

PS: Esta reportagem deveria ser publicada na próxima edição Revista SÁBADO. Por decisão editorial isso não vai acontecer.

Adeus Pedro

Estava escrito nas estrelas que Santana Lopes haveria de ser escorraçado, removido, enfim, despedido da liderança do PSD. Com o instinto político que se lhe reconhece, "o artista" (que me desculpe o Pedro Pinto)resolveu antecipar-se e saír pelo próprio pé, antes de ser pontapeado pelos guaridiões do templo social democrata, com um post-it colado na testa com a frase "reservado o direito de admissão". É indiscutível que Santana Lopes faz um favor ao país. É indiscutivel também que faz um favor ao PSD. Agora, não faz seguramente um favor ao PS e muito menos a Cavaco Silva. O Pedro era, sem dúvida, o líder que o José preferia no PSD. O Pedro não era, de todo, o adversário que o Aníbal gostava de ter na corrida a Belém. Sim porque o Lopes, fica agora livre para ir à Figueira fazer o mesmo que o Silva fez em 1985. Isto é, pega no carro, faz a rodagem e regressa para lhe fazer a vida negra e dividir a direita no apoio aos candidatos presidenciais. É certo que depois disto resta-lhe o suicídio. Mas cumpriu a sua missão: Vingar-se de Cavaco que tantos pontapés e tantas estaladas lhe deu enquanto esteve na incubadora.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Um fait-divers chamado Mário Soares

O ex Presidente da República não resistiu a ter umas horas de protagonismo no Domingo eleitoral. À saída da reitoria da Universidade de Lisboa onde votou, Mário Soares apelou explicitamente à maioria absoluta do PS. A Comissão nacional de Eleições ouviu e tratou de ordenar a imediata suspensão das declarações de pai fundador dos socialistas. O caso já foi entregue ao Ministério Público. Mário Soares arrisca agora uma multa que vai de 50 cêntimos a 5 euros. Resta saber se Mário Soares apresentará uma declaração de inimputabilidade para não ter de pagar a multa.

A hecatombe da direita

E nem o desabafo ou insulto como se lhe queira chamar de Paulo Portas na noite de Domingo serve de consolo ao líder do PS. O president5e do CDS/PP perdeu votos, perdeu deputados, não chegou aos 10 % e não impediu a maioria absoluta dos socialistas. Quatro derrotas numa noite que conduziram à primeira chicotada psicológica da noite eleitoral. “Não há país civilizado em que a diferença entre Trotskistas e Democratas Cristãos seja de apenas um ponto. Em Portugal aconteceu”, desabafou Paulo Portas recusando-se assim a aceitar a dura realidade. O país virou à esquerda. Paulo Portas anunciou que perante a catástrofe para que foi arrastado pelo PSD não lhe restava outra saída que não fosse a demissão. Mesmo assim, há uma pergunta que se impõe. Que sentido tem hoje o CDS sem PP? Que sentido faz o CDS sem Paulo Portas? Talvez por isso as tropas democratas cristãs não tenham hesitado em gritar as palavras de ordem “Portas vai em frente tens aqui a tua gente!”, como que abrindo caminho à vaga de fundo em torno do líder do CDS/PP. Portas disse que o seu tempo na liderança tinha terminado, mas todos sabemos que em política, e em especial em Paulo Portas, as verdades prescrevem tão rápido quanto as conveniências.
Santana Lopes anunciou que vai pedir a convocação de um Congresso extraordinário do PSD, mas não se demitiu. Ensaiou sacudir responsabilidades ao dizer que “assumia pessoalmente o bom e o mau da governação de Durão Barroso”, a quem sucedeu no cargo de primeiro-ministro. Santana Lopes prometeu apresentar nos próximos dias as suas propostas para o futuro do PSD deixando perceber que se vai candidatar-se de novo à liderança do partido, mas desafiou os críticos a saírem da toca. Marques Mendes que foi cabeça de lista por Aveiro, exigiu ao PSD que “mude de vida”, e prometeu “assumir responsabilidades” nos próximos dias. Marcelo Rebelo de Sousa também disse na RTP que o mais sensato seria Santana “ir-se embora”. António Borges sugeriu Manuela Ferreira Leite para o lugar de Santana Lopes. Os tempos adivinham-se por isso difíceis. A ver vamos se Pacheco Pereira tem razão quando anuncia para já “uma guerra civil” dentro do PSD.

Esquerda esfrangalha direita

“Camaradas… Conseguimos!” José Sócrates resumia nesta frase o resultado histórico alcançado pelo PS nas eleições legislativas de Domingo. Pela primeira vez em 30 anos de democracia os socialistas conseguiram ultrapassar a barreira da maioria absoluta, e igualar Cavaco Silva, o primeiro e único primeiro-ministro absoluto do pós 25 de Abril.
O líder do PS que deverá ser indigitado primeiro-ministro pelo presidente da república esta quinta-feira, não estava, ao contrário do que seria de esperar, eufórico com o resultado. José Sócrates deu claramente a sensação de ter sido apanhado desprevenido por esta maioria absoluta do PS. Ou seja, embora a tivesse pedido durante as semanas de campanha e pré-campanha eleitoral, Sócrates deu mostras de quem não esperava que o poder absoluto lhe caísse no colo. “Olhamos para este resultado com humildade e sem arrogância. A maioria absoluta só nos confere uma maior responsabilidade”, afirmou Sócrates na declaração de vitória. O facto, é que o secretário-geral do PS tem consciência de que o país inteiro virou à esquerda.
A CDU, a coligação liderada pelo Partido Comunista Português cresceu 50 mil votos, invertendo a tendência de erosão dos últimos actos eleitorais. O resultado foi o reforço do grupo parlamentar na Assembleia da República, aumentando para 14 o número de deputados eleitos. O Bloco de Esquerda mais do que duplicou a sua votação em relação às últimas eleições legislativas. Os 6,4 % alcançados no domingo permitiram ao BE eleger 8 deputados, quase triplicando a representação parlamentar. E isto para falar apenas dos partidos com assento na Assembleia da República. Até as chamadas forças marginais, PCTP/MRPP, POUS ou PH, a chamada extrema esquerda , ainda mais extrema que o Bloco, cresceram em relação a eleições anteriores. Assim sendo, a José Sócrates não restará outra alternativa, apesar da maioria absoluta, senão a de governar à esquerda. O país não lhe perdoará se não o fizer. Por isso, Sócrates que é tudo menos um homem der esquerda estará já com pesadelos por ter de, por imperativo eleitoral e sociológico do país de governar contra a sua própria natureza centrista.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

O luto continua. A campanha não vai para a rua?

De gravata preta com o nó feito à pressa, Paulo Portas sobe ao palanque, ar compungido para anunciar que suspende a campanha por causa da morte da Irmã Lúcia. Santana Lopes faz o mesmo. Sócrates, mais prudente mas igualmente oportunista, anuncia moderação na agenda eleitoral. Sejamos claros. Quer uns quer outros fazem um aproveitamento miserável de um acontecimento trágico, como é sempre, a morte de alguém.
Os anúncios feitos de tristeza minuciosamente estudada não são mais do que simples actos de campanha eleitoral. Estivesse a Academia de Hollywood atenta, e Paulo Portas substiuiria Di Caprio na corrida aos Óscares. É a "Bushização" da política portuguesa com recurso à promiscuidade entre Estado e Igreja, entre ideologia e fé. Nos Estados Unidos, a criatura George W. através do seu criador, Karl Rove, venceu no Ohio convencendo os evangélicos a não se absterem e desta vez votarem no Partido Republicano. Por cá, os aprendizes esperam, em desepero de causa, convencer os devotos de Fátima a votarem nos partidos da situação.
Por outro lado, é bom não esquecer que Santana tinha programado para hoje o anúncio dos nomes que comporiam o seu Governo em caso de vitória nas próximas eleições. A verdade verdadinha é que com este adiamento, o "guerreiro menino" não terá que assumir que afinal não tem Governo e atirando as revelações para quarta-feira sobra menos tempo para os desmentidos.

Jornalistas de todo o país, UNI-VOS!

Nunca como hoje, 30 anos depois do 25 de Abril, a ameaça sobre a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão esteve tão presente. Nunca como hoje é preciso estar vigilante e atento para impedir o regresso da mais aberrante e abjecta forma de controlo da liberdade de pensamento e criação. Senão vejamos. O dr. Santana Lopes afirmou em Aveiro, perante o olhar incrédulo de Marques Mendes (quiçá envergonhado pelas patifarias que fazia enquanto ministro que detinha a tutela da CS durante o Cavaquismo), que está "farto" de ser maltaratado pela comunicação social. "Que democracia é esta em que um partido é mais prejudicado por estar lá a comunicação social do que por não estar?", interrogou-se o "guerreiro menino e homem que também chora". Teria preferido, o bom dr. Santana que em Aveiro estivessem os reporteres "independentes" e "isentos" do Povo Livre? No dia seguinte, esse grande farol da democracia portuguesa que dá pelo nome de Luís Filipe Menezes exibiu a primeira página do Expresso para acusar os jornalistas de fazerem "primeiras páginas dignas de um manual escrito por José Estaline". É certo que as criticas à Comunicação Social são recorrentes em campanha eleitoral. É certo que não há muito tempo, um tal Morais Sarmento, num ímpeto totalitarista, teve o despautério dizer em público que "a independência tem limites". É tempo de dizer haja vergonha. Numa democracia hiper mediatizada, em que os líderes partidários são, infelizmente, escolhidos não pelos seus méritos mas pelas suas qualidades mediáticas, há que dizer, com toda a frontalidade, que estes senhores não passam, eles sim, de Josés Estalines de trazer por casa. Será que o dr. Santana, o dr. Menezes ou até o dr. Sarmento têm consciência que são eles próprios produtos de uma comunicação social cada vez menos exigente? Terão eles consciência que não fora essa mesma comunicação social e eles seriam apenas conhecidos, na melhor das hipóteses, na rua deles? Camaradas, não tenhamos medo da palavra. Camaradas estejam atentos e vigilantes. Estes senhores fazem mal à saúde da democracia. Quanto maior for o seu poder, mais se apertará o cerco à liberdade de imprensa e á liberdade de expressão. A democracia está em perigo!

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Para guardar e ler mais tarde

Apesar da fraquissima actividade bloguistica, não posso deixar de pedir emprestado à Ana Sá Lopes do GF a brilhante crónica publivada na edição de domingo, 30 de Janeiro, do Público.

Este Homem Já Sabem Quem É
O fim político de Santana Lopes - que diariamente agoniza aos nossos olhos - está a ser uma tragédia: o homem está a morrer no circo, ao estilo de sacrifício romano. Já nada lhe resta, os sucessores sucedem-se diariamente no PSD, perdeu o parceiro de coligação que descola a todo o vapor do mais patético primeiro-ministro que Portugal conheceu nos anos de democracia e, provavelmente, enlouqueceu.

A pantomina da democracia portuguesa iniciada em Julho passado assume agora foros de irrealidade: o homem já não tem nada para vender. Resta-lhe o currículo conhecido do eleitorado através das "revistas do coração", onde se passeava semana sim semana não - foi casado várias vezes, namorou algumas raparigas. Ontem lançou o mais estranho mote da campanha eleitoral: votem em mim porque eu gosto de raparigas. Chegámos ao patamar que nunca pensámos atingir na política. Só um miserável - e quem é Santana Lopes, neste momento do campeonato, senão um pobre despojado de qualquer bem válido para a polis? - pode utilizar em comícios, como aquele em que ontem participou, com 1000 mulheres, em Braga, o facto de ser aquilo a que se chama, em alguma gíria, "um femeeiro". Já tínhamos visto o absurdo de políticos desesperados a utilizar a estabilidade familiar como argumento de campanha - que foi o que João Soares fez contra o próprio Santana Lopes na campanha de Lisboa. Agora, vem o primeiro-ministro de Portugal rodear-se de mulheres que dizem que ele é "conhecido pela sua natureza sedutora" e "ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras".

O fervor homofóbico é espantoso e quase irreal. Num comício de Lopes grita-se: "Bem hajam os homens que amam as mulheres!". E o primeiro-ministro candidato a novo mandato diz que "o outro candidato tem outros colos" e que "estes colos sabem bem".

Já nada Lopes tem para oferecer: com a credibilidade política de rastos, atira-nos um cartaz para a frente que diz "Este homem sabe o que é". Saberá? Nós sabemos. É o que Jorge Sampaio, com o apoio generalizado do país, mandou para a rua por falta de credibilidade e incompetência manifesta. Afinal, é mais o quê? Um "femeeiro". É este o currículo que Santana Lopes agora transformou em arma eleitoral: namorou com várias mulheres. Mais de 30? Menos de 100? Só um louco descontrolado traz esta matéria para a campanha, mas de Santana Lopes tudo se pode esperar - eventualmente até um "strip-tease" no comício de encerramento.

Nada mais resta a Santana Lopes. Tem o corpo, e só o corpo, à venda no dia 20 de Fevereiro. Mas o mais provável é que, ao fim da noite, o corpo já seja um cadáver.

Obrigado Ana...

sábado, dezembro 18, 2004

Jornalistas e assessores

Começo por esclarecer que sou amigo do David Dinis (DD). Mas isso não chega para fazer a sua defesa. Sou dos que entendem que uma vez ultrapassada a fronteira da assessoria os jornalistas não devem voltar à profissão. Mas não havendo regulamentação deve imperar a regra da seriedade. E se há coisa que o DD tem, é ser um tipo sério. Acho a crucificação pública do David completamente inaceitável e absolutamente desonesta do ponto de vista intelectual, sobretudo quando é promovida por alguém que abdica do mais básico direito de cidadania.
O Martim defende que por ser jornalista não deve votar. Assim sendo, ao Martim devia estar vedado o direito a produzir opinião, uma vez que o exercicío do voto é por definição uma manifestação de opinião. Quem não vota é porque não tem opinião. Mais, onde é que estava o Martim, ou os outros que agora atiraram as primeiras pedras quando, por exemplo, os ex-assessores socialistas regressaram às redacções (muitos deles ao DN) e começaram a escrever ou a opinar sobre a política nacional? Onde é que estavam (e o Martim estava lá) quando o José Luís Manso Preto foi ao Congresso de Aveiro do CDS intervir enquanto delegado e continuou depois a exercer a sua profissão de jornalista? Onde é que estavam quando o Luís Delgado foi nomeado para a presidência da Global Noticias e da Lusomundo Media? E não vale a pena dizer que este senhor nunca foi assessor, porque é bem mais grave do que isso.
O Luís Delgado é, todos o sabemos, um comissário politico. Sejamos claros. Estou de acordo que na política, no jornalismo como em tudo na vida, não basta ser sério, é preciso parecer. Mas a seriedade passa obrigatoriamente pela coerência das posições que assumimos. A verdade é que ainda ninguém se manifestou sobre a qualidade do trabalho do DD. Limitaram-se a reagir de forma corporativa. Entendo que o David podia e devia ter-se protegido, não fazendo a entrevista. Entendo que a direcção do Diário Económico (DE) não devia ter exposto o DD ao desconforto de, 4 meses depois de ter regressado à profissão, estar como editor de política. Mas já que assim é sejamos honestos: alguém pode, em consciência, acusar o David Dinis de no jornalismo estar a funcionar como ponta de lança de um qualquer interesse obscuro? A resposta é não. O trabalho do David Dinis, digo-o sem qualquer dúvida, é limpo, sério, honesto e completamente desprovido de "partidarite" ou "tentação freteira". Sobre a entrevista ao Morais Sarmento, sejamos também claros: Se o ministro em causa em vez de ter chamado "caudilho" ao PR, se tivésse rebelado e assumisse a posição de crítico do santanismo, alguém questionaria o facto de a entrevista ter sido feita pelo DD? Tenho a certeza que não. Eu por mim prefiro as coisas claras. Embora discorde do princípio, prefiro saber que o DD foi assessor do ex-PM e hoje é editor de politica do DE, do que ler o trabalho daqueles jornalistas que sem nunca terem sido assessores de coisa nenhuma, actuam como tal.